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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Concorrência reafirma não haver indícios de cartelização no mercado de combustíveis (mas já não nega a existência de um cartel)

Do Site do Jornal de Negócios, por Alexandre Machado


“A Autoridade da Concorrência reafirma não haver indícios de cartelização no mercado de combustíveis, garantindo ter os meios necessários para actuar se fossem detectados problemas.

Manuel Sebastião, presidente da AdC, voltou a elogiar o trabalho da Concorrência neste mercado, afirmando conhecer este mercado como ninguém.

O mesmo responsável afirma que "não dizemos que não exista (cartel), mas não detectamos indícios".”

Esta última frase do artigo é gravíssima e mortal. É o reconhecer completo da incompetência e da hipocrisia. Manuel Sebastião SABE que há um cartel que controla o mercado dos combustíveis. Todos o sabemos, basta andar na auto-estrada. Não negar a existência de cartel é a assunção de que ele existe. O facto de a autoridade da concorrência não “detectar indicio” vem tornar ainda mais grave a situação pois vêm reconhecer a incompetência desta instituição e vem reconhecer também a conivência do estado português com o assalto a que os portugueses todos os dias são submetidos pelas petrolíferas.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Preço dos combustíveis é 11,1 cêntimos mais baixo nos postos dos hipermercados. A diferença ibérica.

No Público de Hoje, por José Manuel Rocha

“Entre os revendedores associados às grandes petrolíferas as diferenças de preços quase não se fazem sentir, assinala a Autoridade da Concorrência

Abastecer um veículo com gasolina ou gasóleo num posto de hipermercado representava, no final do 3.º trimestre de 2009, uma poupança de cerca de 11,1 cêntimos por litro.

As contas feitas pela Autoridade da Concorrência na análise trimestral ao mercado de combustíveis mostram que a diferença de preços dos postos convencionais para os hipermercados voltou a aumentar entre Julho e Setembro. No entanto, entre os revendedores associados às petrolíferas que operam no mercado português, as diferenças dos preços recomendados são residuais.

No relatório ontem divulgado, o organismo liderado por Manuel Sebastião constata que o preço médio para as gasolinas à saída das refinarias europeias caiu 32,1 por cento, menos duas décimas percentuais face aos valores apurados para a refinaria de Sines. Mas o preço médio da gasolina antes de impostos caiu apenas 24 por cento no período em análise e o do gasóleo reduziu-se cerca de 35 por cento. Para o consumidor, todavia, esta amplitude de quebra de preços não teve reflexos directos. A Concorrência diz que o preço médio de venda ao público (já com impostos) caiu 12,6 por cento no caso das gasolinas e 24 por cento para o gasóleo rodoviário.

No balanço final, Portugal tinha a sexta gasolina mais cara da União Europeia, no final de Setembro do ano passado, e ocupava o décimo posto no ranking do gasóleo rodoviário.

Na comparação com Espanha, país onde muitos portugueses que vivem na raia aproveitam para abastecer, Portugal fica claramente desfavorecido. Um litro de gasolina, que em Portugal custava 1,288 euros no final de Setembro de 2009, era vendido a 1,065 euros no país vizinho. Para o gasóleo, o litro custa em Portugal 1,028 euros, mais 84 cêntimos do que em território espanhol.

O mercado registou, no 3.º trimes- tre de 2009, um aumento de consumo homólogo de 3,3 por cento. A Concorrência defende que este incremento teve um contributo fundamental dos gasóleos (4,3 por cento de aumento), enquanto a venda de gasolinas cresceu de forma marginal (0,5 por cento). Trata-se, mesmo assim - como assinala o relatório -, do primeiro aumento homólogo no consumo de gasolina desde o quarto trimestre de 2002.

A Autoridade da Concorrência diz que a cotação do petróleo bruto nos mercados internacionais tem estado estabilizada nos últimos meses em torno dos 70 dólares por barril.84

Um litro de gasóleo custa mais 84 cêntimos em Portugal do que em Espanha.”

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

CDS-PP quer intervenção da Autoridade da Concorrência sobre preços da gasolina na A1

Do Site da TSF

Para ouvir as declarações do Deputado Altino Bessa Clique Aqui.

"O CDS-PP pede a intervenção da Autoridade da Concorrência por causa dos preços da gasolina na A1. O deputado Altino Bessa garante que há concertação de preços e por isso pede mais fiscalização.

No final de Novembro, o deputado Altino Bessa meteu gasolina nas sete bombas da auto-estrada mais movimentada do país e o preço era igual em todas.

«O facto de o preço ser o mesmo dentro da mesma operadora é normal», mas não é normal que «a Galp, a BP e a Repsol utilizem exactamente o mesmo preço em todos os combustíveis quando fora deste percurso essas mesmas operadoras e outras concorrenciais tinham preços completamente diferentes», disse Altino Bessa.

No início de Dezembro o CDS-PP fez um requerimento para o Ministério da Economia e para a Autoridade da Concorrência sobre este caso e, cerca de 15 dias depois, os preços foram alterados, acrescentou o democrata-cristão, fazendo saber que tem documentos que provam a existência de preços iguais."

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Em uma semana, 13 postos de combustíveis são autuados por excesso de lucro

Qualquer semelhança entre o que se passa do outro lado do atlântico e o que acontece por cá é pura coincidência. Será que a nossa Autoridade da Concorrência sabe que isto se pode fazer, e que se faz efectivamente todos os dias por todo o mundo onde os combustíveis são, como cá, vendidos muito acima do preço justo?! Fica a pergunta.

Do Site do Jornal de Londrina, Brasil, por Fábio Luporini

"Em uma semana, 13 postos de combustíveis em Londrina foram autuados por praticarem excesso de lucro no preço. Nesta quarta-feira (14), todos os quatro estabelecimentos fiscalizados receberam a autuação do Procon. De acordo com o órgão, havia grande diferença entre o preço que eles pagam às distribuidoras e o valor comercializado nas bombas. Os postos têm dez dias para apresentar defesa. As outras autuações ocorreram na sexta-feira (9) e na terça-feira (13).

Segundo o técnico administrativo do Procon de Londrina, Arthur Moreira, que acompanhou a fiscalização, o órgão e o Ministério Público pediram para não divulgarem os valores excessivos. Isso porque os concorrentes podem se basear nos valores praticados pelos estabelecimentos. Ele afirmou, entretanto, que a margem de lucro não passa de R$ 0,50.

Se a justificativa dos postos não for convincente, eles poderão ser multados. Os postos podem ainda recorrer da multa, que é aplicada de acordo com os valores praticados e o lucro. Na terça-feira (13), o Sindicato dos Combustíveis negou, em entrevista ao JL, a abusividade no preço. “Não vemos nenhuma abusividade. Até porque o custo do álcool está muito próximo do preço de venda”, explicou Roberto Fregonesi, presidente do sindicato."

sábado, 3 de outubro de 2009

Combustíveis nos supermercados mais baratos 10 cêntimos por litro




Autoridade da Concorrência sempre a tempo e horas para trazer novidades... Este relatório só peca por um atraso, vá, gigantesco! Manuel Sebastião sempre a marcar pontos.

O boicote à Galp continua... mesmo a baixar os preços há seis semanas por causa das eleições, a diferença para os hipermercados mantém-se sempre. Todos aos hipermercados!

Acabem com o Gamanço!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Qualquer semelhança entre a autoridade da concorrência em Portugal e em Espanha é pura coincidência.

Regulador espanhol de concorrência sugere remodelação de capital da participada da Galp


Do Site do Jornal de Negócios, por Ana Torres Pereira

“A Comisión Nacional de la Competencia (CNC), regulador espanhol da concorrência, emitiu um “duro” relatório sobre o mercado dos combustíveis em Espanha, chegando mesmo a sugerir a remodelação da estrutura de capital da CLH, uma empresa que detém e gere a maior parte do sistema de transporte e armazenagem de combustíveis, onde a Galp Energia detém 5%.

A CNC, no citado relatório, refere que encontrou falhas no mercado dos combustíveis que estão a limitar as vantagens decorrentes do mercado liberalizado, noticiou hoje o “Expansión”.

Há mais de um ano que a Concorrência está a analisar o funcionamento e a fixação dos preços dos combustíveis no mercado espanhol, principalmente a “escalada de preços registada no primeiro semestre de 2008”.

Num documento com mais de 100 páginas, a CNC refere que “existe um elevado grau de concentração que conjuntamente com as estratégias dos operadores, a existência de barreiras à entrada e a expansão dos mercados de distribuição conduzem a uma redução da pressão concorrencial entre as empresas participantes neste mercado”, acrescentou a mesma fonte.

Assim, a CNC recomenda uma revisão da estrutura do sector da gestão dos oleodutos, como nas estações de serviços. Desta forma, “para evitar possíveis restrições de concorrência na gestão da rede dos oleodutos por parte da CLH (Compañía Logística de Hidrocarburos) deverá haver uma reestruturação”.

E para uma maior transparência nos preços, a Concorrência recomenda que as empresas operadoras–como Repsol, a Cepsa, e a BP– “não entrem no capital da CLH nem intervenham na sua gestão”. Isto pressupõe, de acordo com a mesma fonte, a remodelação de mais de metade do capital da CLH, detida pela Repsol (15%), Cepsa (14,15%), Disa (10%), BP (5%) e Galp (5%).”

E cá? O Manel Sebastião passa uma multa irreal à pt e a zon que sabe logo à partida que vai ser facilmente revogada em tribunal. Quanto ao mercado petrolífero... só relatórios de 500 paginas que não dizem nada, porque por aí entram muitos tachos e muito dinheiro, nem vale a pena a chatice da multa que não serve para nada.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Cumplicidade da Autoridade da Concorrência com as Petrolíferas posta a Nú!



Não somos só nós que o afirmamos. Não somos só nos que o vemos.

É Podre e está a vista de todos, mesmo daqueles que se esforçam por não ver.

É preciso corrigir esta situação DE UMA VEZ POR TODAS!

Acabem com o Gamanço!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Autoridade da Concorrência passa a divulgar estatísticas mensais sobre preços dos combustíveis

"A partir de Setembro, a Autoridade da Concorrência vai publicar estatísticas mensais para acompanhar e divulgar publicamente o sobe e desce dos preços dos combustíveis. O presidente da Autoridade da Concorrência, Manuel Sebastião, esteve na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, na Assembleia da República, numa audição anual, tendo dito, uma vez mais, que os preços dos combustíveis acompanham o mercado internacional. Pormenores escutados pela jornalista Natércia Simões."






Não consigo de maneira nenhuma conter a minha irritação depois de ouvir estas declarações!

Só consigo encontrar uma palavra que descreve na perfeição o presidente da autoridade da concorrência, e peço desde já desculpa pelo descontrolo de linguagem mas...

Este gajo É UM PANHONHAS! Fala como um panhonhas, num tom de voz de panhonhas, com expressões e hesitações de panhonhas, toma decisões como um panhonhas, tendo a faca e o queijo na mão recusa-se a actuar como só um verdadeiro panhonhas conseguiria! Até o aspecto físico é dum panhonhas! Ainda por cima age como um boneco que é literalmente manipulado pelas petrolíferas. Com gente desta no comando, nada neste país vai mudar.

sábado, 20 de junho de 2009

Petróleo: "Há cartel na produção. Toda a gente sabe", diz Abel Mateus

por Luís Reis Ribeiro, Publicado no i em 19 de Junho de 2009

Vale a pena ler esta entrevista. Ao lê-la ficamos com a clara noção que o regulador, este que esteve e quem o substituiu, têm plena consciência da imoralidade que reina no mercado dos combustíveis. Tem plena consciência que não fez aquilo para que foi pago para fazer: Acabar com os Carteis e tornar o mercado concorrencial. Ainda assim acha que com a simples desculpa que o regulador tem falta de meios e de poderes acha que fica tudo bem.

Palavras para quê? É mais um artista Português...



"Abel Mateus, ex-presidente da Autoridade da Concorrência, fala sobre o passado e a crise



Abel Mateus, professor e investigador, deixou, há mais de um ano, a liderança da Autoridade da Concorrência (AdC). Nesta entrevista, fala do seu novo livro sobre a crise mundial, do estado da regulação em Portugal, da falta de vontade política em dar mais poderes aos reguladores. Mas não quis comentar as obras do governo.

Foi visto como um regulador interventivo, apontavam-lhe até excesso de intervenção. Concorda?

Numa perspectiva mais distanciada, penso que a regulação tem de ser guiada por duas balizas. Por um lado, é necessário intervir. Em grande parte, a crise financeira foi resultado de falta de regulação, portanto, se o regulador não intervém pode causar grandes prejuízos. Ele está lá para prevenir que isso aconteça e, se isso acontecer, para tomar os remédios apropriados. Por outro lado, é evidente que, se o regulador intervém demasiado, pode estar a interferir nas estratégias empresariais ou no funcionamento do mercado.

Conseguiu gerir bem esse equilíbrio?

É difícil avaliar a minha própria actividade. Estava a ser lançado um novo regulador em Portugal e era importante que as empresas percebessem que havia um conjunto de leis que antes estavam mais ou menos dormentes e que era necessário aplicar. É com grande satisfação que hoje ouço dizer que todas as empresas tomam em consideração os aspectos da concorrência. Um poder de mercado excessivo pode afectar os consumidores.

Sem a AdC, as duas ofertas de aquisição (OPA) em curso na altura - sobre o BPI e a PT - tinham avançado?

Nem uma, nem outra foram impedidas pela autoridade. A AdC travou três casos de fusões. Foram outras considerações, problemas com os accionistas...

A AdC não conseguiu provar a existência de cartéis nos combustíveis, bancos... É porque não há cartéis ou porque a AdC não tem meios para mais?

Em primeiro lugar, os cartéis existem em determinados períodos temporais específicos. Há certos sectores em que determinadas condições favorecem, por exemplo, o paralelismo de preços. Como toda a gente sabe, é o caso dos combustíveis. Eventualmente, noutros sectores de actividade, em que há mercado oligopolista - e, portanto, onde há um pequeno número de empresas e que a própria dinâmica do mercado muito homogénea -, também é mais fácil esse paralelismo. Para um tribunal julgar esse tipo de acções é importante provar que há comunicação entre os interesses. Só assim há cartel - e essa parte é muito difícil. Os meios jurídicos e de investigação que temos são bastante inferiores aos das melhores autoridades a nível mundial.

A lei portuguesa devia conferir mais poderes à AdC?

É uma avaliação que o governo é que tem de fazer.

Mas qual a sua opinião?

Acho que sim. A política da concorrência é fundamental para o país, é crucial para reestruturar a economia.

Onde é que sentiu que não tinha meios para intervir?

Nos poderes investigatórios, por exemplo. Não se pode aumentar os poderes investigatórios sem criminalizar cartéis. Temos que caminhar para lá - toda a Europa caminha para lá.

E porque é que em Portugal não se caminha nesse sentido?

Porque ainda estamos a começar a construir a cultura da concorrência.

Pode ser também por não interessar a determinados grupos de interesses?

Sim, mas isso acontece em todos os países. Alguns avançaram, outros não. Depende da opinião pública e daquilo que os partidos quiserem.

Não tem havido a coragem política em Portugal?

Se calhar.

Acha mesmo que não existe concertação no sector dos combustíveis?

Sobre isso não me posso pronunciar.

Mas analisou isso até à exaustão?

Está bem, mas quando saí havia vários estudos em curso, investigações incompletas. Tudo o resto, desconheço.

Neste último ano, assistimos à escalada e descida dos preços do petróleo, sempre acompanhada de ajustamentos nos preços dos combustíveis. Isso não sugere práticas de concertação?

Como disse, o paralelismo de preços é sempre um indício de que pode haver ou não concertação. Mas é preciso provar que há comunicação entre empresas. Isso é fundamental provar: eles encontram-se para combinar os preços? Não há evidência. E por isso nunca iniciámos nenhum processo.

Sentiu-se frustrado?

Não sinto nenhuma frustração. Nos EUA há total dedicação ao tema e até hoje não se confirmou a existência de cartel.

Então não existe?

Não sei. Mas é um mercado muito especial. O preço do petróleo está outra vez à volta dos 70 dólares e se houver recuperação económica vai continuar a subir. Mas já sabemos que há um cartel na produção. O problema é que são estados soberanos. A distribuição é apenas 10% a 15% do preço final. O preço já está determinado à partida, no momento da venda do crude, que vale 80% do preço final. Sim, há cartel na produção, toda a gente sabe. Se houvesse leis internacionais que proibissem estados de fazerem cartéis... Mas assim...

Os cartéis na produção não afectam só Portugal.

A nível mundial, só há três ou quatro grandes refinadores e distribuidores; a nível grossista, há muito poucos.

É esse o argumento da Galp: diz que é tomadora de preços em Roterdão.

Que é um mercado oligopolístico. Esses são problemas que influenciam muito o preço final.

Outro sector muito apontado pela defesa do consumidor é o financeiro.

Quero acreditar que há concorrência, mas também é uma área em que facilmente as práticas comerciais podem apontar para uma concertação. Mas estamos a falar de um mercado muito específico. As taxas de juro, por exemplo, são formadas no mercado, muitas vezes com base em indexantes - Libor, Euribor. São cotadas por um conjunto restrito de bancos. Isso não é uma prática de concertação. São características que podem levar as pessoas a pensar que há concertação. Mas não me parece que os problemas de concorrência nos bancos sejam decisivos, nesta altura, para o país.

A nacionalização do BPN é um processo de consolidação disfarçado?

Pode não ser. Uma concentração entre os dois maiores bancos do país é preocupante porque pode aumentar muito o poder de mercado deles. Uma fusão de médios ou pequenos favorece a concorrência, porque pode criar um quarto grande grupo - que concorrerá com os outros três, ou seja, aumenta a concorrência no mercado. Outro aspecto é que estas decisões de intervenção nos bancos têm de ser feitas de forma rápida.

No BPP foi demorado?

Foi, mas essas situações deviam ser estudadas antes, para evitar que se arrastem e para evitar decisões menos eficientes em termos de mercado.

Essa construção deve ser europeia?

Sim, mas adaptada à situação concreta de cada país. Um documento desses tem de contemplar todos os instrumentos que existem para resolver a situação de um banco em concreto. Mas parece que estamos muito mais preocupados em resolver casos pontuais. Quem incorreu riscos ou errou, tem que sofrer as consequências. Se o contribuinte vai sempre resolver a situação, está-se a criar o ambiente para a próxima crise.

É o caso do BPN e do BPP?

Não conheço os casos concretos.

O BPN foi nacionalizado.

Vamos ver quais serão as consequências finais, se haverá processos em tribunal?

Era demasiado grande para falir?

Não sei. Estávamos no início da crise e podia ter consequências sérias a nível da confiança no sistema. Mesmo na Europa, três ou quatro bancos foram deixados cair nesta crise.

E o BPP?

Não tenho dados concretos, nem vou fazer a avaliação caso a caso.

Não o preocupa o facto de haver empresas, construtoras, que dependem totalmente dos bancos?

Pois, não conheço as situações. Sei é que em qualquer crise imobiliária os intermediários criam situações como as que vimos em Espanha. Há imensa procura em Portugal para o mercado da construção civil. Temos de recuperar os centros urbanos. Para o turismo é fundamental.

Precisamos mais disso do que do TGV?

Não me quero pronunciar sobre certos projectos. Todos sabemos que o turismo é um dos sectores em que temos vantagens comparativas a nível europeu.

O dinheiro para grandes obras públicas, como o TGV ou o novo aeroporto, não podiam ser gastos de outra forma?

Não posso acrescentar nada ao que já disse. Talvez falemos noutra altura sobre isso.

Não elevam o risco de os portugueses virem a pagar mais impostos?

Desculpem, mas podíamos parar aqui...

Não acha que as crises financeiras são cada vez mais frequentes?

Não sei se as crises estão a tornar-se mais frequentes ou não. O que é verdade é que as crises financeiras têm uma dimensão mais global. Todos esses instrumentos estavam fora do balanço dos bancos desde os anos 90, mas só agora é que se deu a crise. Mas quando bem aplicados, são muito bons. Aumentam muito a eficiência do sistema, podem ser muito úteis para fazer cobertura de risco. Têm é de ser utilizados por pessoas que sabem.

A sofisticação do sector financeiro não poderá dar a volta às actuais tentativas de maior regulação?

O regulador tem de estar um passo à frente do operador de mercado.

E está?

Muitas vezes está.

E de que precisa o regulador para estar um passo à frente?

De ter as melhores pessoas. Foi uma das coisas que falhou nos reguladores europeus. Quando vai ver as operações, o regulador tem de perceber o que está lá.

Sentiu isso quando esteve no Banco de Portugal? Que não tinha os meios necessários?

Eu acho que isso é um problema geral da regulação em Portugal. É a falta de meios. Entre 1992 e 1998 estive no Banco de Portugal. E nessa altura havia já claramente um problema de falta de recursos que o governador tinha. Para ter boas pessoas, tem de ter as condições do mercado. Veja onde estão as pessoas que sabem muito dessas matérias: estão nas auditoras.

São justas as críticas e acusações recentes que têm sido feitas ao Banco de Portugal?

Há várias críticas que têm sido feitas que apontam para problemas sérios no caso português. É preciso reforçar a capacidade do departamento de supervisão.

Mais poderes?

Sim. Por exemplo: quando se levantam processos-crime contra gestores, depois, muitas vezes esses processos não têm seguimento ao nível do sistema judicial. Por falta de uma colaboração eficiente entre o Ministério Público e o Banco de Portugal, porque muitas vezes os juízes não compreendem os problemas mais complexos. Na área da concorrência temos os mesmos problemas. É preciso que o sistema judicial se especialize.

Não sente o apelo de voltar à área da regulação?

Não sou eu que defino. São escolhas que os governos fazem."

sexta-feira, 15 de maio de 2009

"Painéis chegam às estradas, mas com preços iguais"

Do Site do Diário Económico

"Quatro anos depois do Governo ter imposto a fixação de painéis nas auto-estradas com os preços dos combustíveis, alguns já estão a funcionar, mas com os preços iguais.

No entanto, para a AdC este facto não constitui, por si só, uma prova de concertação.
Confrontada com a existência de painéis nas auto-estradas com preços iguais para gasóleo e gasolina sem chumbo/95 em várias marcas, a Autoridade da Concorrência (AdC) remeteu a situação para as conclusões do relatório que apresentou em Abril: "um paralelismo de preços de venda ao público não constitui, por si só, uma prova de concertação ilícita entre operadores nos termos da legislação da concorrência".

Já para as gasolineiras Repsol, BP e Galp, o facto de existirem painéis nas auto-estradas exactamente com os mesmos preços é a materialização da concorrência entre marcas.
O Governo diz que está consciente dos preços semelhantes, mas considera que os painéis têm a virtude de dar mais informação ao consumidor.

"Detecta-se que existem muitas estações com preços idênticos, mas também em alguns casos - designadamente na gasolina - preços diferenciados", declarou hoje o secretário de Estado do Consumidor à "Lusa".

"O objectivo [da medida] era ter um conhecimento dos preços. Mas [os painéis] até geram uma vantagem: ao fim de tantos anos a sabermos os preços dos combustíveis, estamos agora a detectar que muitos são iguais. A vantagem foi alertar os consumidores para isto", acrescentou Fernando Serrasqueiro.

No entanto, quando o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, o Decreto-Lei sobre esta medida, em Agosto de 2005, Fernando Serrasqueiro explicou o seu alcance: proteger os consumidores, que assim poderiam "escolher o preço mais barato".

Não tendo tempo agora para comentar a notícia, reitero tudo o que foi dito neste blog sobre a concertação de preços, a cartelização e a incompetência total e completa da Autoridade da concorrência: Aqui, aqui e aqui.


terça-feira, 12 de maio de 2009

Cartelização? Qual Cartelização?

Afinal, segundo o diário económico, não foi apenas a Galp que subiu os combustíveis ontem. Também a BP e a Repsol subiram os seus preços. Todas ao mesmo tempo e para o mesmo valor. Cartelização? Oligopólio? Qual quê!


De facto, nem relatórios de 500 paginas da Autoridade da Concorrência conseguem provar o contrário daquilo que é óbvio e está a vista de todos!

Em Portugal estas autoridades da treta, são pagas por todos nós, mas só servem para legitimar mais ainda os ataques que nos são feitos, e para proteger e expandir os feudos de privilegiados que o são sem qualquer tipo de mérito para tal!

PRENDAM ESTES GATUNOS!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O Ponto 701

“701. Os preços ex-refinaria praticados em Portugal são determinados em contratos ENTRE as petrolíferas que, através de fórmulas matemáticas, os indexam aos preços Platts praticados no Noroeste Europeu (NWE).”

Do relatório da Autoridade da Concorrência sobre os combustíveis.



"Oligopólio

nome masculino
ECONOMIA situação de mercado em que um número reduzido de vendedores controla toda a oferta de serviços ou mercadorias"


"Cartelização

nome feminino
acto ou efeito de se cartelizar"


"Cartelizar-se

verbo pronominal
1. agruparem-se os industriais do mesmo ramo para obterem uma produção remuneradora do seu trabalho ou do seu capital e depois combinarem com o comércio uma distribuição racionalizada dos produtos fabricados
2. formar cartel"


"Cartel
nome masculino

4.ECONOMIA acordo entre várias empresas comerciais e industriais de um dado sector que tem por fim obter ou defender o monopólio em determinado mercado"

Do Dicionário de Língua Portuguesa Online da Porto Editora.



"Em termos de concertação de preços é convicção da Autoridade da Concorrência, é minha convicção, que não temos nenhuma evidencia de concertação de preços"

Disse Manuel Sebastião, Presidente da Autoridade da Concorrência, no Parlamento.


Parece que não chegou a ler as 500 paginas do relatório...

"Palavras para quê? É um artista português!"

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Gás Mais Caro!




Somos o 3º País da União Europeia com o Gás MAIS CARO! 49 Cêntimos mais caro que a média europeia.

Em Portugal no mercado do Gás, tal como no mercado dos combustíveis, é a Galp quem domina o mercado. No caso do Gás tem mais de 90% da cota do mercado, é por isso obviamente quem estipula os preços que se praticam.

Entretanto o preço do gás natural já caiu mais de 50% desde Janeiro deste ano mas o preço a pagar na factura dos portugueses mantém-se inalterado.

O que diz a Autoridade da Concorrência sobre isto? Nada! Como sempre cobardemente, escusa-se a defender os consumidores, e mais grave que isso, escusa-se a fazer o seu trabalho que é, como o nome indica, REGULAR O MERCADO para que a concorrência exista efectivamente!

Como em muitas outras situações no nosso país as entidades existem mas escusam-se a fazer aquilo para o qual foram criadas!

É apenas mais um escândalo envolvendo a Galp… não é só nos combustíveis, nos lucros e nos salários dos seus administradores que o Gamanço da Galp acontece. É em todo e qualquer sector de actividade que esta empresa tenha!


Fica o Link do Estudo que deu origem à noticia, e outra notícia sobre o mercado do Gás aqui.



P.S. – O Economista Eugénio Rosa, autor do estudo e que aparece na reportagem da SIC, tem diversos estudos sobre a Galp. Aproveito esta oportunidade para deixar os Links, vale a pena ler:

Lucros da GALP sobem 159% e governo oferece à GALP 200 milhões euros de IRC, 13.09.2008



Lucros extraordinários da GALP aumentaram 228,6 % no 1º trimestre de 2008, 22.05.2008



Os lucros da GALP aumentaram 71% devido ao aumento dos preços de venda dos combustíveis, 21.09.2007